PRIMEIRA HORA – OSASCO, 29 DE JUNHO DE 1991

HISTÓRIA EM 16 MILÍMETROS

Das Balsas ao Cinema Osasco

Nascido em uma das mais tradicionais famílias osasquenses – os Collino – Celso conta a história da época em que era o projetista do Cine Osasco, o primeiro da cidade, de propriedade de seu avô Celso carrega o sobrenome de uma das 25 famílias italianas que aqui aportaram juntamente com Antônio Agu, no final do século passado. Sua mãe, Ignês Collino, era filha de João Collino, que por suas habilidades na carpintaria fabricava balsas, usadas na travessia do rio Tietê e outros, já que pontes inexistiam. Depois de trabalhar no Cotonifício Beltramo, João resolveu (juntamente com Antônio Pignatari e Pedro Michelli) construir um galpão num terreno de sua propriedade na rua da Estação. Ali foi aberto o primeiro cinema da cidade, o Cine Osasco, com capacidade para 70 pessoas.

Celso Collino: movimentando
o projetor a mão.

Ele já não se lembra das datas, mas se recorda de que o falecido tio (Lourenço Collino, hoje o nome da rua onde Celso mora, era o operador do projetor. "Como não havia eletricidade, a máquina de projetar era movida no muque mesmo", conta Celso em Presidente Altino, onde reside há mais de 40 anos. Foi o tio quem lhe ensinou as artimanhas do ofício: "Era necessário ter uma cadência, para não passar o filme nem devagar, nem tampouco depressa".

Os filmes, que chegavam pelos trens da Sorocabana (atual Fepasa), em geral eram de aventuras e tinham até oito partes. "No término de cada rolo, a luz (proveniente de gerador a querosene) era acesa para a troca. Na platéia se fazia a maior algazarra". Com o advento da eletricidade na cidade, os aparelhos foram se modernizando, não mais necessitando da projeção manual. A concorrência do Cine Glamour, mais moderno e confortável, selou o destino do Cine Osasco. Segundo Celso, "por volta de 1948, com muita tristeza, o cinema foi fechado".

Ele sente saudades daquela época, que considera mais romântica. "Ir ao cinema englobava todo um ritual. Havia desde o footing em frente ao cine, antes de começarem as sessões, até a pipoca que se comprava ao entrar. Atualmente é só piscar o olho que a TV já está ligada”.

Aposentado, após 38 anos de trabalho no Frigorífico Wilson, Celso diz acalentar um sonho: chegar aos 80 anos, idade em que seu avô faleceu. “Só me falta um ano. Depois, posso partir tranqüilo”.

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