Ponte Preta Une o Passado ao Futuro

Luís Pires para o jornal Primeira Hora - Abril de 1991

O Brasil já não é campeão há 20 anos. E o Km Dezoito, como os demais bairros de Osasco, já não têm os campinhos em que se formaram Jair da Costa, Jonas Bento, nem Nonda e Nicola. E o "Ponte" tenta trocar a geração espontânea por fábricas de criatividade.

Até um tempo não muito distante, aproximadamente 15 anos atrás, o Km 18 (e adjacências) era uma região formada por muitos campos de futebol, que aos poucos foram cedendo lugar ao “progresso”: áreas residenciais, comerciais, igrejas, bancos, praças públicas etc. Assim, onde antigamente jovens, crianças e velhos encontravam-se para uma “pelada”, hoje estão edificadas a Cidade das Flores (campo do Vila Izabel), a estação ferroviária Comandante Sampaio (antiga Patriarca) e o Parque Infantil do Quilômetro Dezoito (campo do Vera).

A perda de algumas praças esportivas é lamentada até hoje, como é o caso do campo da Estrela de Ouro, que ficava em frente à Igreja Imaculada Conceição. Na memória de Hamiraldo Camargo, nos anos 40, por entre quatro linhas, passaram nomes como Jair da Costa e outros que, se não chegaram a despontar para o futebol mundial, muito se destacaram no bairro: Valadão, Nonda, Benjamim, De Maria, Lazinho e inúmeros outros que ainda são lembrados como craques nas rodas mais antigas de bares. O Valdo Pereira, mais conhecido como Capurru, ainda se queixa do dia em que “a Prefeitura de São Paulo ofereceu-nos a posse do terreno por preço de banana. Mas a diretoria do Estrela de Ouro não se importou em adquiri-lo” (naquela época. Osasco não era emancipada). Hoje o local é sede de algumas agências de automóveis.

Fatos como este foram se sucedendo nas décadas seguintes até que a região ficou reduzida a apenas dois espaços para a prática do futebol amador: o atualmente sofrível campo da Ponte Preta, e o da Sociedade Amigos da Cidade das Flores, este último ainda sem tradição, aberto há apenas cinco anos, quando o conjunto residencial foi construído.

A decadência do “estádio” da Ponte reflete o fim de uma fase importante na história do Quilômetro Dezoito, que seria sucedida pela fase de exponência de teatro e depois do samba.

Futebol: Esse “Troço” Cada Vez Mais Estranho

Um dos únicos clubes amadores de futebol da região sobrevive aos tempos. A SE Ponte Preta foi fundada no dia 11 de novembro de 1953, tendo como primeiro presidente Manoel Ortega, o Manolo. Há cerca de quatro anos, os mais de 150 sócios se cotizaram para comprar um terreno localizado na rua São Maurício, levantando uma moderna sede, através de bingos e festas. Pelas tardes de sábado e manhãs de domingo é possível se encontrar moradores do bairro, que se misturam a pessoas “ilustres”, como o ex-prefeito Guaçu Piteri e o vereador Dionísio Mateos, freqüentadores assíduos do local.

Time de muita tradição na categoria veterano, está desenvolvendo um sério trabalho nas categorias juvenil e infantil, provavelmente para compensar a falta de “campinhos” e tornar o futebol um “troço” menos estranho às novas gerações. Segundo Martins Teixeira, mentor do projeto e técnico do infantil, “trata-se de um time de molecada da região e também de municípios vizinhos, que muitas vezes não tem condições de comprar uma chuteira sequer”. Francisco José, um dos diretores do departamento infantil, declarou que esse trabalho tem a intenção maior de “tirar essa criançada da rua, dando-lhes uma atividade sadia”. Atualmente time, nas duas categorias, se prepara para disputar o campeonato de Osasco. “Já não se pode dizer que o Ponte Preta só tem tradição em veteranos. As equipes inferiores ainda vão nos dar muitas alegrias”, conclui Martins.

Um Caque Chamado Jonas Bento

Para a maioria das pessoas ele é hoje apenas um ilustre desconhecido que empresta seu nome a um dos principais viadutos de Osasco, que liga a avenida dos Autonomistas ao Fórum. Há menos de trinta anos, contudo, ele projetava o orgulho dos moradores do jardim das Flores, onde nasceu, pelos gramados do futebol profissional. Infelizmente morreu cedo. Chegou a vestir a camisa canarinho, mas apenas na seleção olímpica. Morreu tão jovem que não realizou seu sonho de ser titular da seleção tricampeã do mundo. Jonas Bento começou a jogar pela AA Cobrasma, no final da década de 50, de onde passou para os infantis do São Paulo FC. Em 1960, com apenas 16 anos, já era titular do time principal, formando com craques como Peixinho, Gino, Gonçalo e Canhoteiro a linha-de-frente na partida inaugural do estádio do Morumbi. Nesse mesmo ano integrou a seleção olímpica que foi a Roma.

Transferindo-se no ano seguinte para o futebol gaúcho, sagrou-se campeão pelo internacional em 1962, quando foi acometido por um tumor na perna.

Mesmo doente, voltou para São Paulo, onde ainda atuou por diversas equipes interioranas, até ser vitimado pela doença em 21 de fevereiro de 1964.Com apenas vinte anos, findou-se uma promissora carreira e com o maior craque do Jardim das Flores.

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