A História Está nas Ruas

As ruas e praças de Osasco receberam, em sua maioria, nomes que
homenageiam as pessoas que moraram e trabalharam na cidade.
Seja ex-escravo, farmacêutico ou professor.

Por Moura Leite Neto e Mara Danusa

Avenida dos Autonomistas (Vl. Yara)

Conhecida anteriormente como Estrada de Itú, faz alusão aos que lutaram pela Emancipação de Osasco entre 1953 e 1962. A lei que a institui, tem como justificativa a homenagem não só aos que se distinguiram pelo trabalho, mas também aos Autonomistas anônimos que deram sua colaboração direta ou indiretamente.

Rua Antônio Agu (Centro)

Foi o fundador da Vila Osasco. Em 1872, veio da Itália para o Brasil, onde permaneceu na cidade de São João de Capivari por 14 anos. Em seguida, resolveu se deslocar para a cidade de São Paulo, que já era uma grande metrópole.

Nela, comprou uma gleba de terras que beirava uma linha de trem, onde construiu uma olaria. Posteriormente, construiu também uma estação de trem, que foi doada à Estrada de Ferro Sorocabana, sob a condição de que ela fosse batizada com o nome de sua cidade natal, na Itália: Osasco.

A partir disso, vários outros imigrantes foram se alojando em volta da estação, que trazia o progresso para aquela pequena e afastada vila da cidade de São Paulo.

Rua Dona Primitiva Vianco (Centro)

Primitiva Agu Vianco era italiana, nascida em 1872 e filha de Antônio Agu, fundador da cidade. Morreu com apenas 17 anos, logo depois de dar a luz à Giusephina Vianco.

A primeira via de acesso da Vila Osasco recebeu seu nome, em homenagem à jovem que costumava acompanhar com interesse e dedicação às atividades de seu pai.

Rua da Estação (Centro)

Rua por onde se iniciou o desenvolvimento econômico da cidade. No fim do século XIX, era onde havia maior concentração de casas de comércio e prestação de serviços, como: armazéns, padaria, açougue, quitanda, loja de calçados, sapateiro, barbeiro e ferreiro. A rua também sediou o primeiro cinema da cidade (na época, uma vila), o Cinema Osasco.

Avenida João Batista (Centro)

João Batista era filho do líder político Coronel Júlio de Andrade e Silva. Em janeiro de 1920, João Batista, estudante da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, estava em férias na casa de seus pais, em Osasco.

Acompanhado de seu pai, foi à estação Osasco aguardar o trem que o levaria de volta ao Rio de Janeiro. Foi quando um homem se aproximou e disparou vários tiros em direção a eles, causando a morte de ambos.

Nesta época, haviam disputas políticas acirradas e suspeitou-se do concorrente político de seu pai, o Coronel Delfino Cerqueira, como o mandante do crime. Mas nada fora provado.

Avenida Analice Sakatauskas (Jd. Bela Vista)

Nasceu na cidade de Pompéia, interior de São Paulo, em 1941. Chegou a Osasco em 1953 e tinha o costume de visitar casas de pessoas humildes e pobres, bem como hospitais. Tudo com a finalidade de fazer orações e oferecer uma palavra amiga. Ao mesmo tempo, era funcionária da RCA-Victor, importante indústria fonográfica da época, instalada bem próxima a Osasco, no bairro do Jaguaré.

Em 1958, Analice sofreu um grave acidente com sua bicicleta, o que causou sua morte.

Rua André Rovai (Presidente Altino)

Nasceu na Itália, em 1827. Chegou à Vila Osasco em 1854. Construiu a Olaria Rovai e Della Nina, no Jd. Piratininga, em sociedade com seu irmão Leonildo.

Foi uma das primeiras olarias da região, que forneceu matéria-prima para muitas construções da cidade. Em alguns casos, como o da construção da igreja Nossa Senhora do Bonfim, Rovai doou tijolos afim de que a obra pudesse ser finalizada.

Voltou para a Itália em 1927, onde morreu de uma gripe aos 60 anos.

Viaduto Reinaldo de Oliveira (Centro)

O conhecido como “Viaduto Metálico”, dá nome a um dos primeiros dentistas da Vila Osasco.

Foi por três vezes presidente da tradicional Associação Atlética Floresta, idealizou a Sociedade Amigos do Distrito Osasco e foi o primeiro presidente do Movimento Autonomista de Osasco, que visava a emancipação política da cidade.

Recebeu o título de Patriarca da Emancipação. Faleceu em 22 de setembro de 1991.

Rua Pedro Fioretti (Centro)

Farmacêutico e juiz de paz, Pedro Fioretti nasceu em 1885 na região de Macerata, ao leste da Península Itálica. Morou em Buenos Aires e logo depois veio pra o Brasil.

Formou-se em 1918 pela faculdade de Pindamonhangaba e a partir de então passou a ser responsável por sua farmácia. Em 1925 tornou-se juiz de casamento e ocupou este cargo até 1938. Foi um dos primeiros profissionais de farmácia que usou a penicilina descoberta em 1928. Recebeu o Titulo de Cidadão Osasquense em 1967, em razão dos inestimáveis préstimos oferecidos ao município. Morreu em 1968.

Rua Narciso Sturlini (Vl. Bussocaba)

Nascido em Toscana, na Itália, em 1855, Narciso Sturlini veio para o Brasil em 1888 acompanhado de mulher e de três filhos.

Narciso era artesão especializado e queria instalar no Brasil uma fábrica de papelão. Ao vir para Osasco adquiriu seis alqueires de terra de Antônio Agú. Fabricou tijolos, construiu edifícios e galpões, abriu estradas para promover meios de locomoção e montou, peça por peça, a primeira máquina de fabricar papel da América do Sul.

Fundou a fábrica "Cartieira", que atualmente é conhecida por Adamas do Brasil S/A. Mantinha em sua fábrica um armazém de abastecimento e uma escola para alfabetização de seus operários e seus filhos. Morreu em 1918.

Praça Antônio Menk (Centro)

De descendência alemã, Antônio Menk veio de Tatuí (interior paulista) para Osasco em 1919. Sua principal atividade era a compra e venda de suínos. Anos após se instalar no município, Antônio Menck fez sociedade com Abílio Barros e fundaram a Menk, Barros e Companhia Ltda. No princípio, Menk foi contra a emancipação da cidade, mas depois mudou de idéia e passou a lutar pela sua autonomia. Morreu em 1968.

Avenida Maria Campos (Centro)

Nascida em 1885 na Colômbia, foi naturalizada italiana aos cinco anos. Veio para Osasco em 1927 e se instalou onde é hoje a Avenida João Batista. Foi casada e teve seis filhos. Era costureira, freqüentava as reuniões sociais na Associação Atlética Floresta e foi membro da Irmandade Católica da Paróquia de Santo Antônio, onde foi catequista por muitos anos. Maria Campos morreu em 1980, aos 95 anos, vítima de broncopneumonia.

Avenida Santo Antônio (Vl. Osasco)

De acordo com vários registros, Santo Antônio nasceu na cidade de Lisboa (Portugal) em 1196. É o padroeiro de várias localidades, entre elas a Cidade de Osasco. Seus santuários, basílicas e pequenas capelas são venerados por fiéis de todas as camadas sociais.

Ficou conhecido como Santo Antônio de Pádua porque trabalhou nesta cidade italiana e lá está enterrado. Uma curiosidade é que Santo Antônio foi batizado recebendo o nome de Fernando.

Em 1210 passou a estudar com os Cônegos de Santo Agostinho em Lisboa. Em 1219 foi ordenado Sacerdote. Era franciscano, viveu anos de retiro em hermitério, sendo o primeiro professor de Teologia dos Frades, a pedido de São Francisco.

Foi pregador e evangelizador e arrastou multidões na Itália e na França. Morreu em 1231 na periferia de Pádua, na Itália.

Rua Dimitri Sensaud de Lavoud (Vl. Bussocaba)

Em 7 de janeiro de 1910, o inventor Dimitri Sensaud de Lavaud conseguiu realizar um vôo de 103 metros a uma altura que variou entre 2 e 4 metros, em apenas 6 segundos. Ele havia se proposto a construir e fazer voar um aeroplano. A rampa por ele utilizada ficava onde hoje está a Rua João Batista, no centro da cidade.

Jornais como "O Estado de São Paulo" registraram a experiência: “O primeiro vôo com um aparelho mais pesado que o ar neste lado do mundo”. Por esse motivo, Osasco é considerado o berço da aviação na América do Sul. O monoplano levou o nome de "São Paulo" e foi exposto no Polyteama (cinema do bairro paulistano do Brás).

Rua João Collino (Centro)

O italiano João Collino só recebeu esse nome quando se naturalizou brasileiro. Nasceu como Giovanni Collino a 22 de julho de 1867, na Província de Torino, Itália, filho de Lourenço Collino com Amonita Maria Anastácia. Chegou ao Brasil em 1889, com 22 anos e fixou moradia em Osasco. Primeiro em uma hospedaria pública chamada "Cocheiras", localizada entre a Rua Salem Bechara e Av. dos Autonomistas. Em seguida, morou na Rua da Estação.

Em 1890, naturalizou-se brasileiro e, com o tempo, passou a ser conhecido como João. Casou-se com Ana Felicidade Morino e teve cinco filhos. Trabalhou lado a lado com Antônio Agu, contribuindo para o desenvolvimento da região. Como balseiro (a primeira balsa, que ligava o Centro à Vila São José), transportava mercadorias, alimentos, veículos e moradores. Collino foi agente dos Correios entre 1905 e 1918.

Com freqüência, ia ao Centro de São Paulo para tratar de negócios e, a pedido de amigos e moradores, levava documentos para registro em cartórios dos bairros da Lapa ou Pinheiros. Também fazia serviços de mecânica e carpintaria: produzia caixões mortuários para o cemitério local. Juntamente com Pedro Michelli e Antônio Pignatari, foi proprietário do pioneiro Cinema Osasco, sito à Rua da Estação. Funcionou entre 1916 e 1950. Collino morreu em 1943.

Viaduto Ignês Collino (Centro)

Filha de João Collino, nasceu a 16 de janeiro de 1899, na Rua da Estação, no mesmo local onde funcionou o Cinema Osasco, fundado por seu pai. Dele, ela herdou o entusiasmo e amor pela sua terra. Sempre dedicou a vida em prol de sua família e sua comunidade. Sempre ajudou aos mais necessitados e se orgulhava de pertencer à Irmandade Católica da Paróquia Santo Antônio, trabalhando em todas as quermesses da Matriz. 

Dona Ignês foi uma das grandes lutadoras pela autonomia de Osasco. Participou ativamente, ao lado de outros integrantes da família Collino, nas reuniões que tratavam das causas emancipacionistas. Foram extremamente importantes nas lutas emancipatórias da cidade, que ainda pertencia a São Paulo. Dessa forma, Ignês ganhou o título de “Autonomista”.

Avenida Fuad Auada (Centro)

Aos 17 anos veio para a Vila Osasco e montou, na Rua da Estação, o primeiro supermercado de Osasco. Em seguida, na mesma rua, montou uma das primeiras lojas de calçados, chapéus, bolsa e tecidos. Posteriormente, ainda montou o depósito "Norma" de materiais de construção, na Rua Dona Primitiva Vianco. 

Fuad começou a trabalhar com extração de areia, se transformando num dos maiores vendedores de areia do estado. Em 1960 se naturalizou brasileiro. 

Durante a luta da emancipação, foi o primeiro a ir para Brasília, defender os interesses da cidade. Na primeira e segunda vez, não teve êxito. Porém, na terceira, trouxe em mãos o protocolo do Supremo Tribunal Federal, que reconhecia a emancipação osasquense. 

Candidatou-se a prefeito mas perdeu para seu primo Hirant Sanazar. Morreu em 22 de outubro de 1973, em Osasco. 

Rua Nathanael Tito Salmon (Centro)

Nasceu em Curitiba em 16 de janeiro de 1905, filho de Virgilio Melo Salmon e Amélia Agner Salmon. Fez curso primário na Escola Americana de Curitiba e, na mesma cidade, completou o ginasial na Escola Republicana, ingressando depois no Instituto Comercial do Paraná, onde em 17 de dezembro de 1922 recebeu o diploma de contador.

Iniciou sua carreira profissional em Curitiba. Depois mudou-se para Sangés também no Paraná e depois para a cidade paulista de Itararé. Em 1924, foi convidado a organizar a empresa Antônio Menk e Irmão, em Osasco, voltando para Itararé em 1926, onde se casou em 15 de setembro de 1928 com Maria Luiza Dias Salmon. Deste matrimônio nasceu Lourenço Tito, que se casou com Maria Teresa Zilli Salmon. 

Em 1940, Nathanael foi convidado a organizar a empresa Menk, Barros & Cia Ltda, com sede na cidade de Osasco, onde passou a morar com sua família. Ocupou por muito tempo o cargo de sócio-diretor-administrativo da Empresa Industrial Everest de carnes Ltda.

Na velhice dedicou-se a plantar hortaliças e flores. Foi um grande amigo da leitura e um grande fotógrafo amador. Nesta época de sua vida também se dedicou a filatelia, chegando a fazer parte de entidade filatélica.

Morreu a 12 de julho de 1965.

Rua João Crudo (Centro)

Nasceu a 15 de abril de 1890 na Calábria, Itália, chegando ao Brasil com cinco anos de idade. Formou-se empreiteiro de obras, atividade que exerceu por mais de 30 anos. Construiu o posto de gasolina "Guarany", na antiga Estrada de Itú, o segundo posto de Osasco. Até os dias atuais há um posto de gasolina neste local, situado na esquina da Av. Autonomistas com a R. João Crudo.

Crudo foi fornecedor de lenha para a indústria cerâmica Hervy, que iniciava suas atividades. Costumava ainda transportar pedras em uma carroça.

Em 27 de março de 1915, com 25 anos, casou-se com Carmela Viccari e teve 11 filhos, 25 netos e 3 bisnetos.

João Crudo recebeu o Título de Cidadão Osasquense em 15 de abril de 1969. Morreu no dia 17 de abril de 1971, aos 81 anos.

Avenida João de Andrade (Jd. Santo Antônio)

Acompanhado da família, o português João de Andrade chegou a Osasco em 1919. Comprou terras nos sertões da vila, num local chamado de “Iquitaúna”.

Analfabeto e sem profissão, João de Andrade trabalhou como operário na loja de ferragens "Paschoal Gabriel", em São Paulo.

Sua família foi uma das pioneiras na região, onde viviam apenas quatro. Inicialmente, foi a única a comercializar leite, fazendo entregas diárias para outras famílias.

As experiências adquiridas em Portugal, sobre lavoura e cultivo, facilitaram a adaptação de João às terras da Vila Osasco. Atuou na construção de pequenas pontes de madeiras, que serviam para atravessar os lodaçais. Com o plantio de verduras e legumes, transformou suas terras em chácara. Sua produção foi comercializada no centro da Vila Osasco, Vila Yara e no Castanhal, atual Jardim Rochdale.

Foi casado com Rosa de Jesus, teve quatro filhos e morreu em 18 de junho de 1965, com 84 anos. Seu corpo foi enterrado no cemitério do Jardim Bela Vista.

Boulevard Ulisses Dante Battiston (Vl. Bussocaba)

Filho de Dante Battiston. Nasceu em Limeira (interior paulista) a 21 de outubro de 1915. Em 1929, após realizar o curso de contabilidade naquela cidade, veio para Osasco juntamente com sua família. Sua primeira residência foi no antigo Chalé Brícola, onde hoje está o Museu Dimitri de Sensaud de Lavoud.

Trabalhou na fábrica de fósforos "Granada" e em janeiro de 1938, inaugurou a "Casa Ulisses", na Rua Erasmo Braga, com filial na Rua da Estação.

Foi presidente da Comissão Pro-Término da Matriz Santo Antônio, membro da Comissão Fiscal da Guarda-Mirim, Sócio-Fundador e Diretor da Associação Comercial e Industrial de Osasco (ACIO), presidente e sócio-fundador do Rotary Club de Osasco, membro de Sociedades Amigos de Bairro e participou ativamente do Movimento Emancipacionista de Osasco.

Recebeu Cartão de Prata da Associação Industrial de Osasco e do Rotary Club, com o título de "Comerciante-Símbolo" e "O mais antigo em atividade na cidade".

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